Com o olhar de administradora, empresária, consumidora e principalmente,
uma pessoa inquieta e curiosa, sempre me questionei quais seriam os motivos e as
principais dores que impedem os negócios – pequenos e médios varejistas- de
prosperarem em sua capacidade máxima, em especial, o comércio varejista de
moda.
Ora, em meio a era da digitalização, inteligência artificial, realidade
aumentada e tantos métodos que existem e prometem extrair o melhor de toda
área da empresa, como existem ainda pessoas com dificuldades para elevar seu
faturamento, fidelizar clientes, criar um posicionamento de marca assertivo e ser
reconhecido por seu público alvo?
Fato é que a própria experiência me fez perceber que existem, sim,
ferramentas incríveis que automatizam, potencializam empresas e profissionais
autônomos dos mais diversos segmentos, mas na prática, não há uma fórmula
mágica que seja capaz de indicar a melhor modelagem para o negócio, estratégia
ou caminho a ser seguido. Isso se constrói somente a partir de um método
estruturado, avaliação de resultados e claro, com um profissional de administração.
Com essa perspectiva e entendendo o mercado como se configura hoje – em
especial, o comércio varejista de vestuário e second hand – há um certo padrão de
funcionamento e pode-se afirmar assim, algumas dores mais corriqueiras que ainda
não foram curadas em sua causa raíz, como por exemplo:
*Falta de gestão de tempo: Por mais insignificante que possa parecer, definir
prioridades pode ser um desafio para muitas pessoas. Se não houver discernimento para
identificar o que é mais importante e merece atenção imediata, isso nos custará o que temos
de mais valioso: o tempo. Como consequência, essa falta de organização também afetará
nossos ganhos;
*Falta de organização financeira: muitas empresas não tem controle financeiro,
discernimento do seu próprio dinheiro e da organização, o que leva a desperdícios,
precificação inadequada e baixa lucratividade do negócio;
*Baixa digitalização e presença online fraca – A ausência de uma estratégia
digital bem definida, como e-commerce, marketplace e redes sociais, reduz a
visibilidade e limita o alcance de clientes. Isso é especialmente crítico para brechós,
que ainda estão se adaptando ao digital;
*Dificuldade em captar e fidelizar clientes – Muitos pequenos negócios de
moda não têm um bom plano de marketing ou estratégias para reter clientes,
dependendo principalmente do marketing boca a boca;
*Falta de desenvolvimento pessoal: o dono do negócio nem sempre é um
administrador e isso é uma barreira comum para pequenos negócios, especialmente
brechós e empreendimentos autônomos. Muitos empreendedores começam com
paixão pelo produto, mas sem conhecimento profundo em gestão, vendas ou
estratégias de crescimento;
Falta de inovação e adaptação ao mercado – Negócios que não acompanham
tendências, como moda circular, consumo consciente e novas formas de venda
(aluguel, consignado, marketplace), acabam ficando para trás e perdendo
competitividade.
Neste caminho de busca constante por crescimento, aperfeiçoamento,
performance e melhores resultados, é essencial que os empresários invistam em
uma gestão estruturada, presença digital forte e estratégias para atrair e reter
novos clientes.
A adaptação às demandas de consumidores cada vez mais exigentes –
especialmente em digitalização, sustentabilidade e consumo consciente – é
essencial para se destacar da concorrência. Aqueles que conseguirem aliar
organização, controle, experiência de compra atrativa e inteligência de negócios
terão mais chances de obter resultados satisfatórios, escalar suas vendas, e
garantir a longevidade de um negócio financeiramente sustentável.
Autora: Marina Dalcin
Administradora e empresária