O Dia das Crianças é uma das datas mais aguardadas no Brasil, tanto pelas famílias quanto pelo comércio. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), é a terceira data mais relevante do calendário do varejo nacional, atrás apenas do Natal e do Dia das Mães em volume de vendas.
Com tanto peso econômico, não é surpresa que os preços dos presentes e guloseimas sejam monitorados de perto. Junto com a alegria das crianças, vem a dúvida para os pais: quanto a inflação encareceu os presentes, doces e produtos característicos da data?
Para entender o impacto da inflação, a plataforma de serviços financeiros Rico montou uma cesta do Dia das Crianças, alguns itens que são característicos para a comemoração. O resultado? A cesta subiu 32% em cinco anos, entre setembro de 2021 e agosto de 2026, acima do índice geral (29,9%). No acumulado de 12 meses, até agosto de 2026, a cesta sobe 4,5%, levemente acima do IPCA (4,22%). Mas, por dentro dos itens, há histórias bem diferentes. Olhando apenas para a janela acumulada de 2026, no entanto, a cesta avançou 2,2%, abaixo dos 3,1% do IPCA.
Doces e chocolates
O segmento de doces e guloseimas foi o que mais pesou no bolso das famílias na visão acumulada de longo prazo. O destaque fica para os chocolates em barra e bombons, que dispararam +76,06% em cinco anos e acumulam alta de +12,45% nos últimos 12 meses (com variação de +3,45% em 2026). Outros itens tradicionais da comemoração acompanharam essa trajetória de forte alta quinquenal, como os sorvetes (+52,12% em cinco anos), os bolos (+43,41%) e as balas (+36,44%).
A disparada dos doces é explicada principalmente pelo cenário internacional das commodities agrícolas. O cacau enfrentou um dos maiores ciclos de alta da história recente no mercado global, ultrapassando US$ 11.000 por tonelada em 2024, enquanto o açúcar também voltou a registrar forte pressão nas cotações internacionais em meio a projeções de oferta restrita. O repasse acumulado desses custos de matérias-primas ao longo dos últimos anos transformou o lado mais tradicional da festa na principal pressão inflacionária da cesta.
Vestuário infantil
Representando o “presente útil” na visão dos pais, o setor de vestuário apresentou comportamentos divergentes entre roupas e calçados. As roupas infantis acumulam alta de +29,02% em cinco anos — patamar levemente abaixo do IPCA geral (+29,90%) — e registraram deflação de -0,38% em 2026 (+2,05% em 12 meses). Em contrapartida, os sapatos infantis acumulam expressiva alta de +50,60% em cinco anos, somando +4,74% em 12 meses e +3,96% em 2026.
Essa diferença reflete dinâmicas de mercado distintas. Enquanto as roupas infantis contaram com forte concorrência no varejo de moda, avanço de plataformas digitais internacionais e um ambiente de consumo mais seletivo — fatores que limitaram reajustes e ampliaram promoções em 2026 —, os calçados ainda carregam os choques de custos acumulados entre 2021 e 2023 em matérias-primas como couro, borracha e PVC, derivados do petróleo.
Brinquedos e itens de lazer
Os brinquedos tradicionais acumulam variação de +29,80% em cinco anos, praticamente em linha com a inflação oficial (+29,90%). No entanto, a categoria acelerou em 2026 com alta de +4,61% no ano (e +3,60% em 12 meses), superando o IPCA acumulado de janeiro a agosto (3,11%). O movimento no curto prazo decorre de pressões sobre os custos de produção e recomposição de margens da indústria nacional, conforme dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).
Por outro lado, itens de lazer mais elaborados deram alívio ao orçamento familiar. As bicicletas e os instrumentos musicais acumulam altas bem inferiores à inflação no quinquênio (+4,54% e +16,41%, respectivamente). Em 2026, ambos os segmentos registram queda nos preços (-2,61% nas bicicletas e -1,10% nos instrumentos musicais), beneficiados pela adequação na oferta e maior concorrência de produtos importados.
Videogames
Sonho de consumo de muitas crianças e adolescentes, os consoles de videogame figuram como a maior pressão de alta no curto prazo. Embora acumulem variação de apenas +9,77% em cinco anos — bem abaixo da inflação geral —, os videogames dispararam +11,68% em 2026 e +12,05% nos últimos 12 meses, registrando a maior alta do ano entre todos os itens analisados na cesta.
O salto de preços em 2026 decorre de reajustes oficiais promovidos pelas fabricantes globais (como Sony e Microsoft). As empresas repassaram o encarecimento de componentes eletrônicos essenciais, como chips de memória e unidades de armazenamento, além dos custos operacionais no cenário econômico global, tornando a categoria um dos maiores pesos do orçamento para a data neste ano.
Dicas de planejamento e proteção do poder de compra
A inflação do Dia das Crianças mostra que o impacto no bolso das famílias vai muito além de números isolados. Planejamento e escolhas inteligentes podem fazer a diferença: antecipar compras, comparar preços e considerar alternativas educativas ou experiências são formas de celebrar a data sem comprometer o orçamento. Afinal, o que fica não é o valor do presente, mas as memórias que ele ajuda a construir.
Para proteger o poder de compra, se torna essencial olhar para a inflação também nos investimentos. Segundo o levantamento da Rico, para objetivos de médio e longo prazo, os produtos atrelados ao IPCA são aliados importantes, pois acompanham a evolução dos preços e ajudam a preservar o valor real do patrimônio. Já para metas de curto prazo, como compras sazonais ou reservas emergenciais, as opções pós-fixadas oferecem liquidez e segurança em um cenário de juros ainda elevados, com a Selic em 13,75% ao ano.
Sobre a Rico
Irreverente e descomplicada, a Rico é uma plataforma de serviços financeiros do grupo XP Inc. e tem como objetivo ajudar as pessoas a investirem de forma simples e acessível. Com esse perfil, tornou-se referência junto ao público jovem. Para mais informações, acesso ao site Rico: https://www.rico.com.vc/
Fonte: Ana Paula Melo – COPE

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Só coisas boas, Jornalista Bernardo Guedes
